Fica ligado

CLÁUDIO MOTTA-PORFIRO

E lá estava o menino esquálido moreno calçado em arreatas de couro cru. Fazia parte da indumentária, ainda, uma espécie de gibão de estopa amarrado rente aos quadris por uma corda de algodão, e um chapéu triangular estilo Peter Pan. Ao longe, montado na última nuvem do horizonte azul clarinho, vislumbrava vales, lagos, rios, florestas e montanhas espalhados pela vastidão dos continentes. A luneta mágica, feita a partir do dente serrado de um mastodonte, fazia-o ver, ainda, a parte mais ao sul, muito além do mar depois apelidado vermelho. Lá mais adiante, ainda, divisava o grande deserto a perder de vista. Um lince e os seus olhos poderosos jamais conseguiria ver tão longe.

E já escorriam, lentamente, por entre os dedos de rabo de calango, cinco ou dez milênios. Pessoas iam e vinham. Não mais olhavam para o chão meio que, insistentemente, sempre à procura de algo. Agora, andavam com a cabeça erguida e o peito estofado com os olhos postos lá muito adiante, onde o cão perdeu as botas e farejou muita riqueza. Eram todos negros e se conduziam em bandos sempre e cada vez maiores. Uns permaneceram na terra original, a região dos etíopes. Outros empreenderam a grande travessia marítima. Encontraram, então, pessoas de tez esbranquiçada, os arianos, com quem ocorreu a miscigenação de raças de onde resultaram homens e mulheres da depois denominada cor de oliva. Surgiam aí os morenos, um dos sete povos que habitaram a terra depois da chuva mais torrencial de que se tem notícia, o dilúvio.

Não eram exatamente vagamundos, ou nômades. Os que assim desejavam comboiavam em frente. Iam-se em busca de novos horizontes. Alguns iam ficando e se situando onde melhor lhes aprouvesse. A terra mais cultivável. A água mais pura. As florestas mais densas. Os demais seguiam adiante. Agora, já estavam a ultrapassar as cordilheiras do Iêmen no rumo norte. Uma raça teimosa.

Muitos iam se estabelecendo no decorrer da grande caminhada. Já plantavam e colhiam; matavam animais de pequeno e médio porte para o suprimento proteico. Ficava difícil matar um elefante com um machado de pedra, e muito menos um bisão mais forte que a trovoada dos infernos. Desbravavam a Terra inóspita por regiões onde nenhum humano, antes, houvera pisado. A função desses nossos primeiros avós era, simplesmente, povoar os rincões do mundo por onde iam passando. Interessava, pois, fazer menino mais a torto que a direito, por cima da garranchada, ou arranhando as costas ou cotovelos das mulheres nas pedras, feito água de ladeira abaixo, ou fogo de morro acima. Esses fabricantes de crianças seguiam em frente, sempre, ou iam ficando com o intuito único de marcar território por onde o bicho homem ia passando. Era importante deixar o rasto nem que seja de maldade, porque ninguém nunca foi santo. Nem a Eva, e muito menos o desencorajado Adão.

E tudo realmente aconteceu ao longo de quarenta e tantos milênios. Era tempo demais que não podia ser jogado fora. Nada de descanso. Nenhuma trégua. Ah, os humanos. Importante era seguir e seguir sempre adiante em busca das últimas fronteiras onde elas estivessem, onde nunca estavam, posto que, só muito-muito depois foi que descobriram que o planeta é redondo feito um coité. Concluíram ainda que, por aqui, neste rés de chão da história dos primatas esclarecidos, há mais água que terra, e muito mais mesmo.

Ao longo de uns seis mil anos contados nos dedos, mais de um milhão deles agora haviam ultrapassado a cordilheira do Himalaia e o planalto tibetano. Já, então, o contato com o gelo, devagarzinho, foi fazendo com que os olhos dos morenos fossem ficando mais puxadinhos. De tanto apurarem a vista no rumo do branco das geleiras e da neve aos seus pés, apertavam as pálpebras e estas foram tomando uma forma bem mais horizontal. Eram da cor de oliva pela mistura entre arianos e negros. Os olhares ficaram oblíquos porque o brilho esbranquiçado lhes fazia doer o globo ocular. Um dia, o menino esperto moreno calçado em arreatas de couro cru houve por bem chamá-los índios. Não sei de onde ele tirou essa marmota.

E a poeira do tempo sufocava a Humanidade. Séculos sobre séculos. Milênios sobre milênios, e muitos instrumentos foram sendo inventados no período entre a pedra lascada, a pedra polida e a pedra que passou a matar os desafetos. O sangue começou a correr da ribanceira abaixo aos borbotões. Os sentidos humanos se tornaram cada vez mais densos, tensos, corrosivos, repulsivos, invejosos, escabrosos, ciumentos e com sede de poder. A paz havia ficado nos milênios anteriores. Estamos em guerra. Sempre estivemos. Estaremos amanhã, certamente.

O menino via tudo lá de cima. Um dia, então, seria a sua primeira vez. Desceria de uma das galáxias quaisquer para também gerar crianças, como faziam os outros entes do gênero masculino. E ele veio para a Terra. Pintou e bordou. Fez e aconteceu. Chutou o pau da barraca. Fornicou com todas que viu pela frente. Não deu sossego a si nem a ninguém. Durou por aqui vinte e sete longos anos. Ficou velhinho antes dos trinta. Não podia viver mais que isso, pois as condições não permitiam ir adiante. A natureza madrasta fez com ele o mesmo que fez com os outros. Como todos, nasceu sem dentes, com as unhas moles, não sabia andar e muito menos correr, nem se alimentar. Mas ficou rijo que nem um mastodonte e craque nos caminhos do sexo selvagem. Deixou mais de quarenta filhos entre as estepes caucasianas, a região do Alaska e as montanhas canadenses. E dele foi a primeira vez que se materializou enquanto humano mais carne que osso. Teve competência e se estabeleceu. Pena que rolou de uma encosta gelada, deu um contrapé nos galhos de um pinheiro, quebrou o pescoço e foi comido por um urso pardo de duas toneladas e alguma coisa a mais.

A experiência humana na Terra, em verdade, não é coisa deste mundo dos homens sãos de cabeça. É preciso ser exatamente maluco para, sem nada com o que se defender, enfrentar a natureza inóspita, os animais famintos e o bicho homem sempre de tocaia. Como deixou muito bem anotado o senhor Agostinho Silva, português, uma aventura só tem valor na medida em que é mais e mais perigosa. Se não, é melhor não sair da zona de conforto, ficar em casa e tocar a rede pra frente e pra trás a cada empurrão que o pé dá na parede.

__________

*Escritor. Autor do romance O INVERNO DOS ANJOS DO SOL POENTE. Membro eleito da Academia Acreana de Letras.

Fica ligado

CLÁUDIO MOTTA-PORFIRO

Naqueles dias, caminhávamos à toa, em delírio esfuziante, absortos e em observação plena direcionada à roda da vida a girar levemente, vagarosamente, indolentemente, mas ininterrupta e precisa e cruel e contínua, embora não o percebêssemos. Tínhamos todo o tempo do mundo e a vida sorria às gargalhadas, enquanto volteávamos na praça pública sonhando com a felicidade de braços dados ou não. Éramos felizes, sim, apesar dos dias não serem os melhores em se tratando da pacificidade do mundo aos nossos pés. Como sempre, as guerras. Ah, a crueza do Vietnã!

Abismados ante todas aquelas novidades que surgiam e ressurgiam a cada esquina, a cada momento da vida, caminhávamos céleres ou vagarosos, a depender da estação do ano. Embebedados pela história do tempo envolvente, ficávamos boquiabertos em face do domínio da história contemporânea por parte de uma professora de descendência libanesa que falava sobre Israel, Índia e China com uma destreza impressionante, como se lá vivesse. Também o outro professor, este de origem portuguesa, sabia tudo, desde os hebreus aos visigodos e às carnificinas ocorridas nas savanas canadenses de outrora.

Mais tarde, depois do futebol de grande qualidade, em casa, perguntas dilacerantes eram feitas ao vazio das consciências tão vagas:

– É este o mundo que os nossos sábios ancestrais nos deixaram por herança? Quem organizará toda essa bagunça? A paz será possível algum dia? Quando, enfim, virá essa tal era de aquário da bonança e da prosperidade? Valeria à pena, realmente, levar a vida tão a sério?

Vinha a noite, então. Depois, era chegado o período da folga semanal. Os sábados e os domingos acercavam-se a todo vapor para a imensa alegria de alguns ou de muitos. Tudo o que ouvíamos no colégio das freiras era guardado nas pastas de couro cru, em sua maioria, posto que, àquela época, ninguém ainda portava mochilas coloridas e muito menos bolsas Victor Hugo ou Louis Vuitton. Nem em sonho.

– Então, vamos aos folguedos! – Era o que pensava o pretenso poeta.

Os grandes bailes da feliz cidade eram organizados pela sua pequena e aguerrida burguesia dos confins do mundo, já na subida rumo aos Andes. Enquanto os mais abastados rodopiavam ao som de conjuntos musicais de uma qualidade considerável, os demais, nas janelas do clube, apenas se acotovelavam para apreciar os pares dançantes.

O menino, entre sossegado e curioso, estava ali pelo meio, aos trambolhões, à janela, com a mãe e a avó materna ranzinza. Segundo elas, aquelas pessoas que, do lado de fora, apreciavam os pares dançantes no salão, estavam participando do sereno da festa. Era assim mesmo. Talvez em algum momento ainda seja, quem sabe, apenas na cabeça e nas vertigens dos sonhadores.

A cidade princesa sempre foi sutil e arrebatadora. Como diz a bela Ofélia moça distinta e prendada do ramo das leis:

– Eu saí de Xapuri, mas Xapuri não saiu de mim.

Um dia, enfim, o moleque maquinador, aí pelas dezesseis voltas, fez a estreia nos salões requintados entre os burgueses rodopiantes e bem trajados, apesar de não ser um deles. Nunca. Nem era tão necessário. Talvez, por ser filho de gente pacata, mas ordeira, de lá ele nunca foi expulso. Muito pelo contrário, algumas vezes, fez par com moças que debutavam, ou com algumas que se candidatavam a rainha das flores, no grande baile do mês de maio. Havia efervescência cultural e as ocorrências sociais eram sonhadas até que chegasse o período de Momo e o rancho carnavalesco, quando uma turma grande saía às ruas do meu pequeno principado usando máscaras e trajes muito apropriados para o período.

Depois, viriam os quarenta dias da quaresma até o grande baile de aleluia, o enterro do carnaval. (Somos também brasileiros e tudo é justificativa para uma farra megalômana.)

Foi por este tempo que ele passou a sofrer as primeiras dores do amor infanto-juvenil. Ficou apaixonado por uma meia dúzia das ninfetas, ao mesmo tempo. Eram muito belas e provenientes de uma mistura étnica entre sírios, libaneses, portugueses e nordestinos do Brasil. Como escreveria mais tarde o poeta, bonitas por natureza.

Todavia, apenas uma, não tão bela, houve por bem conceder-lhe a graça do seu querer. Foram, sim, felizes, por uma longa semana, ou duas, ou três. Depois, veio a outra, bela e sensual, com quem um namoro quente foi engatado por uns dez meses. Era um tempo de boas colheitas naquele sertãozinho íntimo e úmido.

Os bailes foram ficando, talvez, mais empolgantes. Ia, agora, de braços dados com a namorada prazenteira e com a fortuna – a tão comentada sorte – sonhando com a delícia que poderia ser estar ao lado das outras, apenas uma por vez, em cada folguedo, é óbvio. Tornara-se, já, um volúvel cheio das regalias de quem é, antes, bastante simpático, bem cortês e pouco sedutor.

O soldo magro, de início, só permitia a ele a aguardente de cana em forma de caipirinha. Não era o crepúsculo, mas a alvorada dos deuses. Coisa boa demais da conta.

Daí, o salário aumentou e uma paixão imorredoura se abateu sobre o rapazola. Havia uma bebida de gosto imbatível elaborada a partir da cevada. Dela ele se enamorou e passou a consumidor pelo resto dos dias que ainda hão de vir. Que assim seja!

Gente da mesma idade sempre pensa melhor que qualquer mais velho. Esse povo ultrapassado e passado na casca do alho diz estar sempre com a razão; só que com a razão deles. Nós, os mais novos, vivemos um mundo novinho em folha, que não permite o ideário retrô desses que nasceram há um século. Cada qual no seu tempo. Eles já tiveram o seu período de contestações e maluquices. Deixem-nos fazer das nossas.

Pois bem. Pai, mãe e avó desaconselhavam certas companhias. Mas os pais de todos tinham o rapazola por um garoto de boa índole. Os responsáveis pelo aprendiz de poeta gostavam dos filhos do padeiro, dos do vereador, dos do caixeiro, dos do seringalista vizinho, e assim por diante. Assim, uma turma boa foi formada.

Na escola, haviam as discrepâncias de nível de conhecimento, posto que uns haviam se adiantado. Mas no futebol, metade jogava alguma coisa e a outra metade era formada por pernas de pau.

A idade de todos era mais ou menos a mesma. Foi assim que o grupo foi se acercando de uma mesa de refrigerantes, nos primeiros dias. Esta, em seguida – e não se passaram semanas – se tornou uma rodada de bebida destilada oriunda do país vizinho. Só no outro dia foi que apareceu a cerveja.

Um dia, então, junto com os demais da turma, meio desconfiado, o aprendiz de feiticeiro, foi a um ensaio. É que a filha do prefeito – belíssima! – queria que todos aprendessem a dançar.

Se as coisas iam bem, agora tudo melhorara muito mais. Beijaram-lhe a boca e ele se tornou poeta, numa alusão a Paulo César Pinheiro.

Quanto júbilo! Eram aqueles tempos de alegria e êxtase.

__________

*Escritor, autor do romance O INVERNO DOS ANJOS DO SOL POENTE. Membro eleito da Academia Acreana de Letras, Cadeira 18.

 

Fica ligado

Por Fábio Fogaça, gerente de produto leite importado da Alta

A iniciativa do projeto que estimou como o mercado de leite seria em 50 anos foi liderado por Jack Britt (North Carolina State University) e publicado no Journal of Dairy Science (Volume 101, Edição 5, pag. 3722–3741). O artigo cobriu muita coisa, mas aqui destacaremos alguns tópicos sobre as mudanças que poderemos ver na seleção genética.

Espera-se ver constantes ganhos em rendimento de gordura e proteína, estima-se que a produção do volume de sólidos, dobre nos EUA. Isso requer ganhos um pouco mais rápidos do que temos experimentado nos últimos 50 anos, mas seremos auxiliados pela seleção genômica que facilitará as taxas mais rápidas de mudança.

Maiores rendimentos de sólidos necessitam de maior produção de leite. Dobrando a produção de leite seria igual a termos um rendimento médio de leite de aproximadamente 23.000 kg. Isso parece um número muito alto para a média dos EUA, mas tenha em mente que várias vacas já conseguiram produções superiores a 30.000 kg e alguns rebanhos já tem médias acima de 18.000 kg. Os níveis de produção de leite tendem crescer a uma taxa mais lenta do que a de sólidos, devido aos sistemas de pagamento que favorecem os sólidos sobre o leite fluido, podemos não dobrar a produção de leite, mas grandes ganhos estão estimados.

Quão baixo podemos ir?

Enquanto estimamos o crescimento das produções, os intervalos entre gerações se tornaram mais curtos. Já vimos um grande declínio no intervalo entre gerações, entre os touros e seus filhos, através dos intensos métodos de seleção usados pelas centrais de I.A. O atual intervalo de geração entre reprodutores, atualmente é um pouco mais de dois anos. . . quatro anos menos do que a uma década atrás. E um intervalo de 17 meses poderá ser possível com novilhas bem criadas e touros que já estejam férteis aos 8 meses de idade.

Pode ser possível diminuir ainda mais o intervalo de geração no futuro, através de inovações na área da reprodução. De fato, pode ser possível que embriões se tornem pais de embriões. Oócitos viáveis

e espermatozoides já foram produzidos a partir de células-tronco embrionárias em camundongos. Se tais métodos forem aperfeiçoados em bovinos, nós poderemos genotipar embriões e identificar aqueles que gostaríamos de "acasalar". Em teoria, poderíamos até "acasalar" um embrião com si mesmo. Se isso parece um pouco absurdo, você talvez esteja certo. Atualmente, tais técnicas não estão nem perto de serem implementadas, mas quem sabe daqui a 50 anos? Previsão genômica para múltiplas gerações de embriões seria impreciso hoje, dada a uma grande diferença entre a geração mais recente de embriões “pais” e a população prenunciada das vacas em lactação.

Resistência à doença

Tuberculose (TB) é endêmica em grande parte da população mundial de bovinos e é um perigo para as vidas das vacas infectadas e as pessoas com quem entram em contato. E se pudéssemos escolher eliminar a susceptibilidade à TB?

Geneticistas do Reino Unido desenvolveram avaliações genômicas para resistência à TB, através da avaliação de dados de animais abatidos. Nós não poderemos ser capazes de eliminar a suscetibilidade em 50 anos, mas poderíamos ir bem adiante nesse caminho que é longo, para reduzir a suscetibilidade à tuberculose, tristeza bovina, febre aftosa e várias outras doenças infecciosas.

Isso seria benéfico, particularmente nos países em desenvolvimento onde faltam os controles a doenças, que existem em países desenvolvidos. Resistência a doenças infecciosas são apenas uma das possibilidades que poderíamos desenvolver nos próximos 50 anos. Seleção de proteínas especializadas para produzir mais efetivamente queijo ou outros produtos, já pode ser avistado no horizonte. Estamos observando alguns desenvolvimentos nas avaliações genômicas para eficiência alimentar, e há possibilidade também de que poderemos ser capazes de selecionar para reduzir a poluição causada pelos dejetos das vacas.

Avaliações genéticas para nitrogênio da ureia do leite pode ser usado como um caminho para selecionar vacas que venham a eliminar menos nitrogênio através das fezes, embora esse conceito é altamente especulativo, muitos geneticistas já consideram essa possibilidade.

Edição de genes

A edição de genes é viável para algumas características relativamente simples, como a criação de bovinos que já nascem sem chifre (mochos), alteração do alelo beta-caseína A1 para o alelo A2, criando o gene “SLICK” (pelo curto) para combater o estresse calórico em regiões quentes. Mas precisamos deixar claro, que no momento, a edição de genes ainda não foi aprovada para uso em animais destinados à produção de alimentos e talvez possa nunca ser, mas a possibilidade certamente existe. Nós podemos até ser capazes de ir além dessas mudanças relativamente simples e editar grandes porções do genoma para otimizar características como rendimento de leite e fertilidade.

Cinquenta anos atrás, a inseminação artificial estava a caminho de se tornar a ferramenta que dominaria a reprodução de gado leiteiro, e a transferência de embriões estava prestes a emergir. Nós sabíamos a respeito de DNA e poderia ter previsto que os testes de DNA se tornariam importantes, mas nós não sabíamos nada sobre a ciência da genômica, que permitiu a criação de animais baseados em DNAs. Nós certamente veremos muitas mudanças na pecuária de leite durante o próximo meio século. E atentem que nem estamos citando o que pode acontecer nas áreas de epigenética e microbioma.

Então, o que perdemos e o que antecipamos, que talvez não se realizará? Isso é difícil de dizer, pois a única coisa certa sobre prever o futuro é que, desconsiderando a intervenção divina, você errará muitas coisas!

Fica ligado

Quatro dias depois do fim das eleições, os bombeiros desistiram de procurar pela autocrítica do PT. O candidato do partido, Fernando Haddad, até ensaiou uma leve reflexão mas não foi seguido pelos companheiros.

Os socorristas procuraram em todo lugar mas não conseguiram encontrar qualquer sinal. “Desistimos. Não há qualquer pista de que acharemos.”, disse o comandante da operação.

O partido já voltou ao velho discurso de que foi perseguido e injustiçado. O PT também cobrou posição de antigos aliados que abandonou no decorrer das eleições.

Na semana que vem o PT vai fazer um grande encontro para decidir se não teve culpa ou se não foi culpado. Uma terceira corrente defende que são todos inocentes.

 

Sensacionalista

Fica ligado

Andava talvez em círculos. Lia prosa e recitava verso. Dobrava duas ruas à esquerda, e mais uma. Olhava, depois, sorrateiramente, para as da direita, uma vez que lá viviam amigos seus de alta linhagem em almas orgulhosas de freiras virgens. Entrava na padaria e de lá saía em alta velocidade, correndo muito, para que o pão não esfriasse. Mais tarde, ele viria a dizer ao mundo que nem classe média era. Apenas e tão somente houvera se tornado uma espécie de muhammad ali, que ataca bem, se esquiva com perfeição e defende muito melhor.

Observou, então, que, desde menino, enquanto lia – ou comia, vorazmente, feito traça doida – a biblioteca inteira, muitos ao redor claudicavam, tropeçavam feio, ou seja, andavam com a desenvoltura de patos mancos em terreiro enlameado, por pouco saberem sobre o que ainda hoje fazem os comentários mais esdrúxulos possíveis. Em verdade, muitos sabem o significado real de pouca coisa. Os mais novos e os de média idade, pois, nada leem de mais consistente e demandam todo o tempo a discutir sobre certas aleivosias, como o futebol que não praticam.

E o garotão de poucas voltas, gaúcho moreno, com corpo de rinoceronte e cara de crocodilo, dia e noite ligado no modo agressão, falava que o seu padrasto se dera muito bem no negócio do tráfico de entorpecentes. Era uma águia. Ganhava dinheiro com a competência de um banqueiro nova-iorquino. Sutil e demoníaco, como a Meryl Streep, em O diabo veste prada.

- Ora essa! O meu avô só pode é tá doidão e não tem mesmo o que fazer. Já falei que não quero ser estagiário e muito menos, menor aprendiz. Não gosto nem de pensar na pindaíba que é viver com esse salariozinho de merda. Que porra é essa!?

Em casa – que era a mesma do avô – o exemplo mais dignificante da família dormia de dia, dava uns telefonemas à noite e, mais tarde, ia fazer o balanço dos estoques e a auditagem supimpa nas finanças do empreendimento de olhos vermelhos.

Nem se passaram muitos sábados ensolarados e já o moleque de dezesseis voltas, espertíssimo, por absoluta falta do que fazer, cumpriu o seu destino e montou o próprio negócio. Tinha tino. Faro apurado. Olhos e garras de onça maçaroca. Aprendera o suficiente no convívio familiar com um empreendedor nato que sabia o que fazia. Gostava de ouvir o tilintar do vil metal. O som era como um mantra aos ouvidos encerados do sacana predestinado, talvez.

A ele, pois, duas semanas depois, se juntou uma garota de treze anos com quem passou a dividir, no quartinho dos fundos, uma rede suja dita tipóia. Dormiam a sono solto e fornicavam nas horas mais apropriadas que eram todas. Os pais dela, certamente, estavam querendo se desvencilhar daquele trambolho de peitos grandes e ossos à mostra. Seria uma assessora ou gerente de alta competência, uma vez que até sabia passar troco e tomar anotações relativas ao movimento da mercadoria. Pense numa empresa pai d’égua!

De uma hora pra outra, não se sabe como(!), veio uma gravidez e a mocinha foi enviada, com o bucho já no pé da goela, de volta pra casa paterna. Coitada. Por lá fizeram-lhe um aborto e ela ficou mais feia que a coitada da fome que nem tinha culpa de nada.

Passados dois anos, já fazendo residência em colégio denominado onça-que-não-bebe-água, no Estado contíguo, buscava readaptar-se socialmente, posto ser criança muito maluvida. Nesse internato, pois, ele fez pós-graduação na arte de bater carteiras de aposentados velhinhos, dentre outras habilidades mais específicas. Algum tempo depois, empreendeu viagem duradoura a partir do muro alto e com cerca elétrica. (Ele era gordo e não se sabe como conseguiu escalar os cinco metros. Também não havia com o que pagar um helicóptero.) Nunca mais foi visto desde o século anterior. Dizem as línguas ferinas haver sido encontrado consumido por formigas em um matagal dos nossos subúrbios sociais. Urubus já ajudavam a devorá-lo a partir das tripas tenras. Coitado do avô Belisário, o homem que o queria burocrata do serviço público.

O avô era um cidadão simples, mas infatigável nos seus afazeres de auxiliar administrativo da secretaria dos portos. A mãe do rapazola, no entanto, era concupiscente e conivente com os desmandos do marido e com o aprendizado do filho. Agora choram. Não se sabe se os restos mortais encontrados na restinga seriam mesmo do cara de cavalo, como era conhecido na região dos alpesgaúchos e catarinenses.

A mocinha ossuda tentou fazer vida na mesma função lá pelos lados do passo raso. Também foi apanhada com o rabo e a boca na ratoeira e foi servir de auxiliar de cozinha em um internato feminino lá pras bandas do Uruguai. Vai puxar trinta anos. Engordou, enfim.

Nem sei se deveria enfiar o senhor Saramago no meio de uma pendenga tão imoral. Ele que me perdoe. Mas vamos e venhamos. Conforme uma das grandes tiradas do escriba português gente finíssima, se a ética não governar a razão, a razão desprezará a ética.

Ora pois-pois. A família calamitosa nunca soube bem o que dizer para aquele meninão imenso desde os onze anos. Foi mimado a perder de vista. Tudo era dele e nada, da irmãzinha mais nova. O avô passava-lhe a mão na cabeça. A mãe não o deixava ir para a escola às segundas, porque estava cansado do fim de semana no sítio do vizinho, onde aprendeu a incrível arte de fumar maconha em cachimbo. Às sextas, ele faltava às aulas, porque já se preparava para a gandaia. Nunca passou da quinta série e, mesmo assim, diziam-no preparado para ser menor aprendiz, quando, na realidade nunca passou de menor infrator.

Nunca o menino feião ouviu falar a respeito de integridade, ou de responsabilidade. Ninguém lhe falou que todos devem ter respeito pelas regras do convívio social. Ele jamais soube que os cidadãos devem respeitar os direitos dos outros. A ele nada disseram sobre o amor ao trabalho, a respeito do esforço para poupar e investir, ou da vontade de ser produtivo, da pontualidade ou do orgulho do dever cumprido.

Alguns antigos até diriam que ele foi criado como Deus criou batata. Na marra, sem semente e sem adubo.

E este é o retrato da realidade brasileira. O caos está instalado porque, principalmente a ética, como princípio básico, não tem sido transmitida para as gerações mais novas e escritos como este, por mais tristes que possam parecer, jamais chegarão ao conhecimento da superior maioria dos que estão na escuridão dos desinformados. Em verdade, os pais pouco dizem e a escola não pode fazer mais que o que faz.

E vamos por aí observando que outros adolescentes, filhos de gente pobre, mas cheia do sentido da ordem, podem dizer, sim, que driblam isso tudo com bastante facilidade.

Deixa está. Nunca se pode esperar muita coisa dos humanos, posto que estes são meramente falíveis.

__________

*Escritor. Autor de O INVERNO DOS ANJOS DO SOL POENTE, romance, à venda nas livrarias Paim, Nobel e Dom Oscar Romero; ou pelo https://www.facebook.com/claudio.porfiro >

Fica ligado

CLÁUDIO MOTTA-PORFIRO*

Um carma se apoderou da alma do aprendiz de analista. É assim desde os primeiros séculos desta era de promiscuidade e conurbação de sentimentos. Os ancestrais masculinos foram nascendo e se desenvolvendo de olhos vidrados na trilha da gatunagem e da malversação, num país onde tais práticas são mesmo corriqueiras. Enquanto isso, com as fêmeas, as coisas vão sendo tocadas na marra, na maioria dos casos amparadas pelas sombras da noite, e as finanças às vezes regurgitam nos desvãos dos pares de coxas que se abrem e pouco se fecham, ou no vai-e-vem dos quadris de quem quer que seja, numa alusão ao Cazuza. Uma loucura.

Estava na caixa de entrada escrito Tia Berta. E ainda não era abril, mas a temporada de caça ao corvo dourado estava aberta.Pensou que ela já tinha sido encontrada por uma bala perdida, posto residir em área de alto risco, bem próximo do Alemão complexado. Estremeceu dos pés à cabeça. O medo de calote dos parentes desanima as almas mais virtuosas. Trata-se de uma raia miúda, sem escrúpulos, que busca sempre passar a perna nos demais seja na posição que for, ou naquela que melhor aprouver.

Estupefato total com a surpresa daquela manhã, abriu o e-mail e, como um chiclete velho, foi mastigando, enfastiado, a contragosto, cada palavra da correspondência eletrônica que lhe foi enviada pela parenta. Uma intimidade pai d'égua.

Ela reclamou da vida aos borbotões. Falou das dívidas eternamente crescentes, do cartão de crédito e da conta bancária sempre no vermelho. Chorou um rosário de pitangas em lágrimas de crocodila. Maldisse o dia em que foi dada à luz, lá nos sopés esverdeados dos Andes. E tome chorumela.

Depois de relatar que o filho, o priminho Charles De Marco Bezerra de Albuquerque – empresário de negócios sujos e mão aberta, rei dos morros da Providência e do Juramento – continua foragido nas Ilhas Galápagos, no Pacífico, contou que está perdidamente apaixonada por um boyzinho de vinte e seis anos, o Blau-blau de Vigário Geral. Ela, de sessenta e poucas voltas, paga a ele um bom soldo, em notas de cem, uma em cima da outra, como se estivessem copulando, mas o fulaninho a deixa em polvorosa e se acompanha com uma maria trepadeira - segundo ela! - com quem vagabundeia em fins de semana que chegam a durar quatro dias. Dá-lhe, garoto!

Toda a correspondência passava dos quarenta kilobytes. Então, para sintetizar, a frase final da coitada da titia desesperada de Inhaúma foi a seguinte:

- Estou apanhando igual mulher de malandro. Eu dou amor, sexo, roupas caras, comida de primeira, carro, apê e grana. Ele me beija, me abraça, me lambe, me joga na parede e me chama de lagartixa. Depois, diz que eu sou a mulher da vida dele, mas se vai para ficar dois ou três dias na companhia da putinha de dezoito primaveras. E o pior é que eu morro de tesão e de medo de mandá-lo embora. Posso até cometer suicídio, viu?

Ao que o analista respondeu, já no dia seguinte:

- Pode, sim, titia. Use uma corda. Quem não pode com o pote não pega na rodilha. Quem pariu mateus que o embale. Puta velha mais rodada que o engenho da rainha não pode cair numa dessas. Um coroa sessentão, aposentado e carregado de comprimidos sintéticos azuis que ativam a libido, seria muito mais rentável. Você ainda tem borogodó. Mas gosta de cutucar o cão com a vara duríssima. Tome-lhe!

Beldade passada na casca do alho dos subúrbios paulistanos, década de setenta, minha tia tem um corpo ainda escultural, apesar das tantas voltas ao redor do sol, e dos fretes nem sempre a bom preço. Nem é preciso dizer que a alma fede a sexo apressado, medroso ou com raiva. Nasceu nos rincões longínquos mais ocidentais do Brasil e, ainda em criança, foi levada pelos pais para a àquela época denominada terra da garoa.

Bacana é que a Tia Berta adora postar nas redes sociais imagens de si própria em que os milagres malucos do photoshopenganam milhares de incautos e bêbados sem substância. Difícil é ouvi-la dizer que nunca usou filtros tridimensionais, e que ela, ao vivo, é melhor que nas fotos; que está ainda uma uva e nunca chegará a abacaxi. Carácolis!

Foi por intermédio dessas traquitanas cibernéticas que, nos anos noventa, ela engatou envolvimento com um advogado de altíssima linhagem. Paulistano rico e dado às armações e bizarrices jurídicas próprias dos grandes jurisconsultos brasileiros de porta de cadeia, muito bem cabia nele o adágio popular segundo o qual a diferença entre a prostituta e o advogado é que a primeira deixa de usurpar o cliente depois que este morre. Lindo.

O único filho, Charles - com o S chiando - nasceu no bairro calmíssimo de Francisco Morato e por ali foi sendo criado sem muito o que fazer, posto que escola não era do agrado de ninguém. Andou envolvido com uma moçoila de programa em Vila Carrão e teve um filho, ao mesmo tempo em que fazia estágio avançado em Capão Redondo com armas de pouco alcance. Depois, fez aperfeiçoamento em Ermelino Matarazzo, no grosso calibre, e, enfim, estava preparado para assumir o desiderato dos da sua estirpe ranzinza.

Foi morar na maravilhosa levando consigo Tia Berta. O mercado de trabalho sempre foi muito bom e ele passou a colocar em prática tudo o que aprendeu nas universidades da periferia paulistana. O empreendimento prosperou como chuva de outono. Armou, se deu bem e por ali viveu uns doze anos, até ser enxotado para as Galápagos, onde vive de renda com as subvenções do negócio pagas em reais ou dólares. O cara é bom no que faz. É ele o primo esperto, louro, com olhos, nariz e boca postiços, nascido e criado nas grandes metrópoles.

Em verdade, é preciso considerar as palavras do poeta e analista da vida alheia, segundo quem, aqui, nestas paragens tupiniquins, todos são ensinados desde muito cedo a contar regalia porque deu a loba em alguém. Na periferia, como na faixa onde moram os ricos, é praxe o pacato pagador de impostos se deparar com meninos, ou com meninas, contando vantagem sobre uma situação qualquer em que conseguiu tirar proveito em cima até mesmo da bondade de um ou outro que ainda tenta ou consegue fazê-la.

A grande maioria já nasce enquanto réplica e projeto de um contraventor ou criminoso qualquer que há de tirar proveito, notadamente, em cima do que não é exatamente seu. Vive-se, na maior tranquilidade, a prática de crimes corriqueiros mínimos e sem tanta importância, posto que, enfim, o ambiente é propício. Por isso, poucos sabem e ninguém ensina os limites entre o lícito e o ilícito. Daí os pequenos corruptos crescem e a pátria se torna uma casa de mãe joana, com o respeito devido à vetusta choperia carioca.

Em síntese, temos fomentado e até aplaudido uma escola de contravenção e delitos de todos os naipes do baralho de cartas marcadas.

Convém lembrar, para fazer uma coroação à altura desses escritos disformes, o grande senhor Zweig, segundo quem, da mesma forma que ao bem ocupado não há virtude que lhe falte, ao ocioso não há vício que não o acompanhe. Ou, como se diz mais a nordeste, mente vazia é oficina da besta fera. Importa ficar rico, sim. Só não é preciso revelar os meios, senão a polícia sabe e vai querer o que lhe é de direito.

E vejamos no que deu. O advogado sumiu, uma vez que a coisa murchou. O boyzinho se foi, porque a fonte virou piada. Dólares não transitam do Equador – Galápagos – para esta pátria desamada. (Daqui pra lá pode, claro. Eles não são bobos.) A Tia Berta, então, de tanta abertura por esta vida afora, viu que a vida que ela pediu a Deus, enfim, deu adeus e o endereço do sobrinho é não sabido e jamais revelado.

Sem bater e sem fazer mesura, a miséria foi entrando pela porta da sala, enquanto a vergonha fugia pela janela da cozinha.

Cruzes! Jacarés que a comam em meio ao labirinto do pantanal!

__________

*Escritor. Autor do romance ANJOS DO SOL POENTE, disponível na Amazon.com>

Fica ligado

Dizem que todos os homens são iguais, mas se somos todos assim, por que as mulheres escolhem tanto?

Mas até certo ponto elas têm razão, muitos de nós ao ver uma mulher bonita, nos transformamos em insetos que ao olhar pra luz, deseja ter para si. Porem existem casos que nos fascinamos pela costela da criação no primeiro olhar, um gesto diferente ou que os franceses chamam de sei lá o que.

Esse foi um dos casos que aconteceu comigo. Era um dia quente comum, com um sol para cada acreano, quando fui até a clínica oftalmológica, onde iria conversar com uma amiga para fechar parceria ou convenio com a minha instituição.

Aguardei na recepção até liberarem minha passagem, me direcionaram a um elevador e como uma cena de filme, ele abriu as portas e lá tinha um anjo lindo. Ela devia medir 1,68m, cabelos longos e pretos, uma voz suave e tímida, assim como ela. As portas fecharam e não consegui para de olha-la até ser tomado de uma coragem e dizer o quanto era linda. Ela se escondeu por traz de um sorriso enquanto fechava os olhos.

Eu ria de minha própria pessoa ao não reconhecer a coragem que ali aflorou e sem perceber, já tinha criado o ambiente. Parecia uma adolescente, que precisava tocar nela e deixar um tipo de assinatura para o momento.  Tomei sua mão, dei um beijo nela enquanto a olhava nos olhos e ela tentava se esconder dentro de si.

Obviamente que eu queria saber quem era aquela moça. Minha amiga a descreveu e ao mesmo tempo me jogou um balde de agua fria ao dizer que ela tinha um namorado mala. Sim, ela tinha um NAMORADO. Ainda com a coragem no corpo eu disse que um dia seria minha, nem que fosse para ganhar um beijo.

Dali para frente, o destino foi ajudando, enquanto minha mãe olhava as verduras, fui atrás de um doce e quem encontro no corredor?! A moça do sorriso, que me viu com espanto enquanto o namorado ia comprar sei lá o que. A cumprimentei e pouco besta como sou, roubei um beijinho. Eu admito, fui safado (mas nem sempre), mas como disse, eu me encantei por ela. Depois disso e me julgar, perdemos o contato.

Porem um belo dia, minha amiga e informante disse que ela estava solteira, que deu um pé na bunda do jovem carniça. Imediatamente o piegas aqui entrou em ação e mandou um buque de rosas com um cordão. Acho que foi bem aceito, saiu comigo ainda um bocado de vezes. Agora estou passando por uma análise curricular para saber se vai dar namoro ou amizade após os comerciais.

Fica ligado

CLÁUDIO MOTTA-PORFIRO*

Em verdade vos digo. Choro um olho e lacrimejo o outro. Por ela os meus sinos dobram, a poesia flui, o para-choque enrijece e os sonhos se tornam muito úmidos, ou até melados mesmo. Creio até que não é nenhum pecado esticar os olhos, e o algo mais, no rumo de uma prima maravilhosa, principalmente, quando ela não é flor que se cheire, mas que se coma, do cálice ao androceu passando pelo gineceu e as pétalas.

Desci dos aposentos às onze. Uma senhora passada na casca do alho, com jeito de vedete dos anos sessenta e dentinhos proeminentes de bruxa, dada a violência das vassouradas, expulsava demônios ao varrer a parte que lhe cabe da calçada da alameda onde moramos. Cumprimentamo-nos sem alarde e sem mais delongas pelo medo que ainda tenho de pegar um quebranto, ou um mal de reza qualquer. Nunca se sabe. Um passe de macumba anda pela hora da morte. Para marcar um ponto num terreiro, hoje em dia, é preciso obedecer ao que prescreve a agenda do minha ialorixá mais linda do Brasil. Saravá!

Nem queria, ou quase, mas atravessei a avenida e fui ceder galanteios e mesuras ao monumento à natureza que responde aos meus ais pelo nome de Prima Louise. Um doce, às vezes, principalmente, quando está sem grana para o almoço, posto que o jantar é suspenso ou trocado por um tal chá verde em nome da manutenção da silhueta de musa.

Ela havia amanhecido como todos os dias. Ancas largas, pernas torneadas, peitos perfurantes, barriguinha lá dentro, cabelos negros como a asa da graúna, sobrancelhas desenhadas, biquíni vermelho devastador, sorriso de mel e degustando a brisa que vinha do mar àquela hora da manhã. Um arraso.

Não havia saído na noite anterior. A cara estava ótima e, já sintetizando, sem um tostão, posto que era quinta e o amante endinheirado só aparecia na sexta depois da meia-noite. Desocupada como eu, fomos em busca do supermercado onde comprei cervejinhas e um queijo vindo das estranjas. Daí, atravessamos o calçadão e já estávamos sob o guarda-sol Hilton. Nem preciso falar da minha libido aos pulos e aos gritos, berrando, feito louca, horrorizada com a minha falta de atitude.

Louise nasceu em uns sertões muito longínquos, assim mais ou menos mil milhas depois do inferno da pedra, ou onde o cão perdeu as botas. A beleza é resultado de uma mistureba que envolve libaneses, espanhóis e índios amazônicos. Formada na arte de passar em cartório o conto do vigário, muito cedo foi sentar praça na cidade grande. E deu certo. Garantiu um bom apartamento, a cem metros do mar. O amante é um sexagenário cheio da grana e ela se comporta muito bem em meio ao vuco-vuco próprio de quem nasceu quase partícipe de movimentos frenéticos, suspiros intensos e olhinhos revirando.

Minha fã ardorosa, muito cedo daquela quinta, ela já havia acessado a internet e visto as minhas postagens sempre eivadas de duplos sentidos e mão única, além das tiradas sacanas que marcam o meu estilo literário.

Então, ela tascou no pé da minha lata, na maior cara dura:

- Devo lhe dizer, querido, que você posta essas crônicas imensas porque é um sacana muito metido a-não-sei-o-quê. Quer ser demais.

Ao que eu contra argumentei:

- Aceito. Só que você nunca leu um texto meu completamente. Sempre dá uma olhada na introdução e outra na conclusão. Pensando bem, uma pessoa que nunca leu um livro jamais será tão afoita ao ponto de ler uma coisa enorme dessa, de cinco laudas.

- Você está voando geral. Não entendeu o meu convite para o almoço no Belmonte pago por você, é claro. Se existe uma coisa que homem pega no ar, é gripe. O resto tem que vir tudo explicado, mastigado, desenhado, depilado. Porra!

Durante o almoço, ela desatou um rosário de frases de efeito. Boa parte era relacionada aos encontros frugais quando da ausência dobode velho endinheirado.

- Meu caro. Depois de um périplo por esta vida de mariposa, agora, já quase balzaquiana, encontrei algum sossego. Mas ainda digo que o grande segredo que envolve os relacionamentos é você não esperar muita coisa de homens ou de mulheres. Eles são meros humanos erráticos e desenfreados. Simples assim. Toca pra frente. Empurra o pau.

Realmente, a vida deu uma boa guinada para ela. Sem noção e bêbada, vivia urrando e pedindo dinheiro emprestado, se achava politicamente correta e afirmava, com uma categoria impressionante, que a direita é a nossa saída, porque a esquerda é nervosa demais.

O ranço político partidário ainda hoje a leva a acreditar que as reais saídas para essa situação de calamidade em que os brasileiros se meteram, levados pelas elites que só querem os dividendos polpudos, estão no fator patriotismo. Analisemos uma das mais belas tiradas que eu já ouvi:

- Meu preto. O Brasil pode ser cafetão ou puta, mas é a minha mãe amada. Sou apaixonada por esta porra de torrão. Com ela, eu como o pão que o anjo bom amassou, ou a tapioca em que o diabo esfregou o rabo em cima. Posso até vir a trabalhar, coisa que eu nunca fiz. Monto um cabaré. Pronto.

É deveras impressionante ela escorregar de um assunto para o outro sem pestanejar e sem rodeios. Um bom gole de chope e já a verve sopra em outra direção feito vela que muda de rumo ao sabor dos ventos. (Onde ela aprendeu tanto?)

- O meu coroa e meu dono é o exemplo de um homem que venceu por méritos próprios. Diz ele que nunca enganou ninguém e eu acredito porque ele quer que eu acredite. Imagine um advogado com escritórios nas três mais importantes capitais brasileiras. Difícil, hein.

Depois do divórcio, a esposa anterior teria raspado o tacho e estava na pindaíba. Ela e os dois filhos, já adultos, teriam ficado com a metade de tudo. Enquanto eles quebraram, depois de oito anos, o coroa foi suficientemente competente para quintuplicar o que lhe ficou por direito.

A Prima Louise é linda em qualquer posição. Percebe-se, por exemplo, a partir do jogo de frases abaixo:

- Em dezembro, se Vênus ajudar, vamos fazer uma viagem de cinco meses pela Europa, Ásia e Pacífico Sul. É o que eu deixei bem claro dia desses: coroa rico e extremamente saudável tem mesmo é que gastar com puta. Melhor que deixar a grana para os filhos ficarem fazendo confusão. Deixa está!

Segundo ela, o coroa (que não é tão coroa) é o tal.

- Brother! Ele é do tipo que passa duas horas nas preliminares e depois faz alguma coisa interessante para ele, ou dorme. E isso me completa. É o amante perfeito, até porque, a essas alturas dos acontecimentos, eu já desmaiei dez vezes. Cá entre nós, sexo é igual futebol: o camarada tem logo que cair de boca no gramado.

Olhos vesgos, língua trôpega. Louise estava feliz e eu empolgado. E ela sapecou:

- Eu e ele morreremos juntos, um dia. Somos a corda e a caçamba. Já ouviste dizer que a diferença entre o advogado e a prostituta é que esta última deixa de extorquir depois que o amante morre. Então.

Já com as mãos dadas, de frente a frente, olho no olho, um em cada lado da mesa, ela disse que eu estou encarregado de escrever as suas memórias e o título do best-seller será O livro do óbvio segundo a inominável Prima Louise.

Como a felicidade não entra em pernas fechadas, depois do almoço, já noite alta, tomamos a rua Gustavo Sampaio e jamais diremos quem foi pra casa de quem, até porque ninguém tem nada a ver com isso. Ora essa!

__________

*Escritor. Autor do romance O INVERNO DOS ANJOS DO SOL POENTE, disponível nas livrarias Nobel, Paim e Dom Oscar Romero, ou pelo https://www.facebook.com/claudio.porfiro >

 

Fica ligado

CLÁUDIO MOTTA-PORFIRO*

Fizeram dele um menino tímido, como hoje ainda é, embora todos duvidem, poucos acreditem e ninguém veja. Cumpriu itinerários rocambolescos, é certo, ao redor da Terra e por mares nunca d’antes navegados. Em viagem, depois dos dez dias fora de casa, sentia saudades da mãe e, à noite, de olhos fechados, via-a passar as mãos na cama de modo a fazê-la mais confortável para o seu deleite. Era a emoção viva e pulsante da velha alma infanto-juvenil.

Em palavras bem estudadas, disse poemetos que nunca escreveu aos ouvidos do adorável gênero, ainda que nem estivesse apaixonado. A partir de meados da segunda década, fazia esse exercício ilusionista muito mais enquanto ensaio, para quando as coisas se fizessem realmente difíceis, como nunca foram. Ficava estabelecido, assim, um maravilhoso conluio e um nexo adorável entre o malabarista e as viandantes destas galáxias.

Mas as tais características donjuanescas jamais fizeram parte do rol das manias daquela alma sacana. Não iludiu, não mentiu, não trapaceou. Apenas omitiu detalhes às vezes um tanto sórdidos, escabrosos. Os versos eram abstratos, mas as segundas intenções estavam sempre à flor da pele, ou ao redor de uma despercebida vírgula recheada de duplo sentido. Se há de escorregar, é melhor cair logo.

E foi ele por aí, vivendo a vida leve e folgazã, uma vez que o soldo republicano o permitia. Ganhava bem para um moço de vinte e pouquinhas voltas ao redor do sol.

Ademais, o que fez além de sonhar com as divas do seu tempo, foi a compra de um carro um tanto luxuoso para a província e para aqueles períodos de devaneio. Como dizia de si próprio, à época, foi levando uma vida de pequenos deslizes, crimes mínimos, pecados hediondos, furtos insidiosos em que corações foram arrancados de peitos arfantes e juvenis, aos pulos. Nada demais. Julgava a si mesmo sempre um inocente, que deixava um olho acordado, enquanto o outro dormia a sono solto.

Passou a viver pensando que os que têm alma não têm calma. Aí foi que se iniciou no mundo das emoções. Cheio de raça a partir das tripas, matou a pau. Estudou o suficiente para tornar-se, um dia, um homem feliz, um sujeito realizado, apesar das limitações marcadamente humanas. Foi aprovado em tudo o que se meteu, só não em concurso de beleza, posto que a maré nunca esteve para tanto peixe assim, e Deus achara demais da conta ofertar a ele além do merecido quinhão. O Divino acertou quando a ele emprestou o amplo tirocínio.

Certo é que, a ferro e a fogo, nele gravaram a tatuagem indelével e fria da impetuosidade. Quase se tornou uma máquina programada para ir sempre em frente. Só mais tarde é que deixou de correr atrás, porque já havia alcançado tudo, ou quase tudo.

Num dos dias de adolescente, ainda imberbe, começaram a brotar as primeiras paixões avassaladoras, cáusticas, lacrimejantes, fúteis, como é tão natural entre a maioria dos que têm idade reduzida e pouco aprendizado. Certo é que as lágrimas não caíram, mas molharam quase por completo a alma medonha.

Manteve namoro com uma mocinha que nunca soube ter sido ele um dia namorado dela. Se soubesse, daria por concluído o suposto idílio. Isso só para dizer a um tio que era um principiante cheio de qualidades. Tudo mentira tosca. Só macaquice. Coisa de iniciante.

Hoje, a família primeira ainda dá asas aos sentimentos. É emocionante pensar nas dificuldades passadas e sentidas no decorrer de uma viagem do sertão do Ceará até o Acre, em busca do pouso seguro e nunca encontrado, feito o pote de ouro da lenda.

Às vezes, como em algumas madrugadas semanais, quando rabisca garatujas na máquina de fazer doido – o computador – bate uma boa saudade dos irmãos que ainda estão por aqui para ajudar a contar as histórias desde a origem nas terras dos xapuris. A essas horas silenciosas que nos propicia o sol escondido por trás da Terra, ainda pensa ouvir os relatos encantados dos dois que se foram em busca de outros mundos e de outras glórias superiores às nossas de terráqueos urbanos fúteis e pecaminosos.

Outro dia, ele viu um menino ainda quase menino, que ganha a vida esmurrando os outros dentro de um tal octógono e fazendo-os desmaiar, se possível. Dizia o rapazola ao repórter que matara a unha um leão por dia, comera o pão que o diabo amassou, dormira no chão duro e suado de uma academia de pugilistas, morara de favor num cubículo cedido por um amigo quase irmão, foi alvo de muitos favores, mas sempre lutou bravamente para, quem sabe, um dia…, um dia… comprar uma casa bacana para a sua mãe, em Manaus… É o Zé Aldo bom de porrada.

Lembra depois os que não são bem-sucedidos, aqueles que não venceram como gostariam, como aquele que queria ser igual ao Pelé, ou aquele que se comparava ao Zico. Estes não têm sequer a oportunidade de contar as suas historinhas de vida acabrunhada. Dá pena.

Um dia, já em idade bem madura, ele escreveu sobre as razões da emoção. Desfiou um rol delas. Talvez até aqui estejam anotadas algumas delas.

É assim que acontece quando a razão começa a tomar o lugar da emoção. O raciocínio pode tornar-se lento, mas fica muito mais eficaz, com certeza. Já não se acredita em gnomos. O sol é um astro apenas com autossuficiência em eletricidade. A lua já não é a namorada dos sonhos, mas o satélite da Terra que jorra uma luz fria e serve para alimentar os sonhos de conquista dos americanos.

Tudo é muito claro. Escuros são apenas alguns pensamentos de muitos que sonham com o dia da batalha final entre um coração fantasioso que jamais deixará de pulsar e o outro que para de bater e deixa a matéria a decompor-se e a desaparecer para todo o sempre.

Há uns amigos dele que choram e têm insônia quando o time do coração deixa de ganhar. O poetinha rasteiro já não sofre desses males escabrosos. Tem filhos para criar. Eles todos querem ser engenheiros e os seus camaradas tricolores querem que ele seja ainda um fanático pelo futebol. Já não é. Já não suporta sê-lo, apesar de nutrir as simpatias por este clube tantas vezes campeão.

Tenta ele explicar que já não tem idade espiritual para fanatizar as parcas emoções. Alguns menos inteligentes desaprovam tais atitudes racionais por não verem que a idade faz pensar mais claramente, que alguma leitura de livros aos milhares faz ver que é de pão, sim, que o homem vive, e não das migalhas que caem das mesas dos mais apaixonados.

Na verdade, o Fluminense já é um entusiasmo tênue. Estive lá, na primeira quinzena do janeiro último. Fotografei o irmão apaixonado na sala de troféus e no bar. Voltei muitos anos na minha história de torcedor antes fanático. Mas já não sou o mesmo. Já não respiro o império dos sentidos. Já não me tocam as paixões avassaladoras da primeira idade, embora o tilintar de copos, à noite, ainda me deixe um tanto perplexo ante a visão da vida noturna que se renova a cada bom trovador que ouço na Lapa ou no Paço, em Vila Isabel ou no Point do Pato.

Mais um chope à nossa saúde! Viver é bom demais. Ser feliz é melhor ainda.

__________

*Escritor. Autor do romance O INVERNO DOS ANJOS DO SOL POENTE, disponível nas livrarias Nobel, Paim e Dom Oscar Romero, ou pelo https://www.facebook.com/claudio.porfiro

Durante muito tempo, eu fiquei obcecada com o meu corpo. Depois que emagreci os tão sonhados 10 quilos, acredito que o meu maior pesadelo era ganhar esse peso novamente. Então, me privei de muitos momentos e prazeres. E me achava saudável de verdade, mas no fundo detonava a minha saúde mental.

Consegui trabalhar isso dentro de mim e tenho cada vez mais encontrado o equilíbrio. Quer saber como faço isso? Vou te contar aqui!

Primeiro passo: identificar a obsessão

Se você perceber que não come absolutamente NADA sem ler os rótulos do alimento já é um alerta. Outra situação é deixar de sair e ter momentos únicos porque acredita que não pode comer nada. Além de viver se pesando e controlando cada coisa que come.

Para você ter noção, se tivesse um grão de arroz no meu prato eu tirava, pois aquilo era carboidrato e ia me engordar. SIM, é loucura, mas eu estava cega naquele momento.

Algumas pessoas me alertavam, e eu – infelizmente – ignorava. Então, procure ouvir mais quem te ama de verdade e se preocupa com você. É claro, sempre tem aqueles que gostam de cuidar da vida alheia e não acrescentam em nada, mas esses logo identificamos e relevamos, tá? hahaha.

Procurar ajuda de profissionais para ser saudável de verdade 

Quando conversamos com profissionais da área da saúde, ganhamos mais confiança e credibilidade. Afinal, eles sabem exatamente o que estão fazendo.

Convivi um tempo com uma excelente nutricionista e ela tirou de mim as crenças limitantes que tinha adquirido em relação a comida.

Fiz testes e percebi que era só controlar a quantidade do que comia para não engordar novamente. Lógico que eu não iria comer todos os dias “besteiras” em pequenas porções.

Eu aprendi que deveria sim comer legumes, vegetais, proteínas e carboidratos de qualidade, mas poderia me permitir comer o que sentia vontade de vez em quandoapenas não precisaria exagerar.

Portanto, se eu quisesse um bolo, era só comer uma fatia fina e não vários pedaços grossos como fazia antigamente. Isso ainda ajuda a controlar o exagero em outras refeições.

Passos essenciais para ter equilíbrio

  • Se exagerar em uma refeição, basta comer menos na outra. Nada de ficar sem comer por muito tempo, ok? Como disse, estômago vazio pode gerar compulsão alimentar;
  • Deu vontade de comer um docinho? Então, coma! Mas controle a quantidade! Saboreie devagar e aprecie o alimento de verdade;
  • Tem um evento especial em vista? Para aproveitar quando chegar a hora e não se privar, controle mais na alimentação nos dias anteriores. Dessa maneira, você poderá comer um pouco mais sem muita culpa;
  • Beba muita água! Isso oferece diversos benefícios ao corpo e é essencial a saúde. No entanto, além disso, ajuda a amenizar a fome;
  • Faça exercícios físicos regularmente. Se você não é muito fã de academia (como eu), procure alguma atividade que goste. Eu, por exemplo, coloco o FitDance no Youtube e danço uns 40 min por dia, para mim é prazeroso e ainda gasto umas boas calorias, rs.

Por fim, gostaria de ressaltar que, sim, engordei alguns (poucos, rs) quilos após trabalhar minha consciência, mas estou muito mais feliz agora.

Espero que minha experiência e minhas dicas tenham ajudado. Você também tem buscado o equilíbrio? Quer saber mais sobre esse assunto? Então, comenta aqui embaixo. ❤️

 

Paola Brescianini